Amarras ao impulso criativo: de onde vêm?

No livro Creative Calling, Chase Jarvis propõe o seguinte experimento: entre numa sala de aula de um jardim de infância, e peça para alguma criança desenhar para você um desenho. Muitas das crianças da sala, se não todas elas, vão se oferecer para fazer o desenho, com altos níveis de entusiasmo. Perfeito, agora repita a experiência com crianças do quinto ano: com sorte, metade da turma vai levantar a mão. E no ensino médio? Será que você conseguiria mais de dois voluntários?

Segundo o Jarvis, isso é culpa do nosso sistema educacional, que nos condiciona desde cedo a trabalhar em fábricas ou em escritórios. Concordo com a explicação, mas me pergunto: será que é só isso? Do mesmo jeito que (como defende o Jarvis, e eu endosso) existe um impulso criativo em cada um de nós, será que, à medida que deixamos de ser crianças, não vão surgindo em nós certos “freios internos” que nos impedem de exercer essas nossas práticas criativas? Freios esses que não são necessariamente frutos da nossa educação?

Vou falar da minha própria vivência, até porque não posso ir muito além dela. Sou professor há mais ou menos oito anos, e antes disso fui aluno de pós-graduação (onde fiz pesquisa) e fiz estágio em uma e outra empresa; minha vida profissional se resume a isso. Ou seja: se até o final da minha graduação eu segui uma trilha profissional relativamente convencional, faz mais de quinze anos já não estou nela (quando decidi fazer mestrado em vez de entrar no mercado de trabalho). Então por que só agora consegui criar este espaço para expressar livremente meus pensamentos? Será que precisei de todos estes anos para me livrar das amarras que a minha formação forçou em mim? Ou será que existia outra força, interna, com a qual eu tive de brigar?

Enfim, não consigo pensar em respostas para estas perguntas. Imagino que gente bem mais preparada do que eu já tenha formulado boas soluções para elas, e essas soluções não tenham cruzado o meu caminho ainda. Mas me parecem boas questões, instigantes, e que valem a pena só pelo fato de serem perguntadas.

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