10 solos subestimados do rock

Rick Beato é um produtor e músico americano com um canal bastante popular no YouTube. Um vídeo que apareceu faz pouco lá foi este aqui, no qual ele lista 10 solos de rock que ele julga subestimados – porque a banda não é muito conhecida, ou porque é uma música obscura de um grande grupo, ou por qualquer outro motivo.

Este vídeo me inspirou a fazer a minha própria lista de 10 solos subestimados. Evidentemente, como não sou nem produtor nem músico profissional, nem de longe tenho como abordar aspectos técnicos como o Beato faz. Enfim, aqui vão minhas escolhas, sem ordem de preferência, e com links para o YouTube sempre que possível:

  • Beatles, “Get Back”. Gente bem mais competente do que eu já demonstrou os talentos do John Lennon como guitarrista-base (eu gosto particularmente deste vídeo). Em “Get Back”, ele cria um solo com toques country que se encaixam à perfeição com a temática da letra e com os vocais do Paul McCartney. Isso sem falar no que o Lennon faz durante o refrão (“Get back to where you once belonged…”).
  • Rolling Stones, “Sister Morphine”. O que eu gosto no trabalho do guitarrista Ry Cooder nesta música, e não só no solo, é o contraste: com uma letra destas (que fala de drogas, hospitais, morte etc.), será que uma slide guitar é o melhor acompanhamento? No entanto, a coisa funciona, e muito bem.
  • Television, “Elevation”. O Television surgiu em Nova York nos anos 1970, na mesma cena em que circulavam Ramones, Talking Heads, Blondie, Patti Smith e outros; nunca foi absurdamente popular, mas teve grande influência em grupos que surgiram nas décadas seguintes. Esta banda tem dois guitarristas, Tom Verlaine e Richard Lloyd, que se alternam nos solos; nesta música, é Lloyd quem faz o solo, que para mim é o mais bonito do primeiro disco do grupo, Marquee Moon. Talvez porque o Verlaine seja o vocalista e principal compositor do Television, ele acaba levando toda a fama de músico: só ele aparece na lista dos 100 melhores guitarristas da revista Rolling Stone, por exemplo. “Elevation” mostra que o Lloyd também merece crédito.
  • Velvet Underground, “All Tomorrow’s Parties”. Nesta música, Lou Reed usa o que chamam de ostrich guitar, ou “guitarra avestruz”, que não só não tinha trastes (aquelas separações entre as notas), mas na qual todas as cordas da guitarra estão afinadas na mesma nota – na afinação padrão, as cordas estão afinadas em mi, si, sol, ré, lá e mi, da mais aguda para a mais grave. O efeito desta afinação é, no mínimo, curioso, mas meu motivo para ter este solo entre meus subestimados preferidos tem a ver com a forma como o Reed toca: há momentos durante o solo em que ele parece desistir de tocar qualquer sequência melódica e simplesmente bate em todas as cordas ao mesmo tempo, como uma criança.
  • Oasis, “Columbia”. Uma das minhas músicas preferidas de uma das minhas bandas preferidas, com vários solos tocados por um guitarrista que não tem a fama que merece (como guitarrista, que fique claro). Tecnicamente são solos bem simples, tanto que eu, com meus dons bem rudimentares, consigo reproduzir sem muita dificuldade no violão. Mas o solo que começa quando o Liam Gallagher termina de cantar “This is confusion, we don’t wanna fool you” e se estende até depois de todos gritarem “yeah, yeah, yeah” consegue dar uma dramaticidade e uma agressividade à uma música que, com seus meros três acordes e sua massa de guitarras distorcidas, parecia nem merecer tais características.
  • Deep Purple, “Strange Kind of Woman”. Sim, “Smoke on the Water” é o grande clássico, e “Highway Star” e “Burn” (entre muitas outras) talvez sejam tecnicamente mais sofisticadas. Mas não sei, a forma como o Ritchie Blackmore faz a transição das notas neste solo me soa mais próxima ao estilo dele, tem mais a “cara” dele.
  • Black Sabbath, “Planet Caravan”. O tempero blues e a delicadeza do solo em si já valem a indicação. Que venha do Tony Iommi e do Black Sabbath, um guitarrista e uma banda tipicamente associados ao oposto do que eles mostram nesta música, é ainda mais surpreendente.
  • Stevie Ray Vaughan, “Crossfire”. Um dos meus guitarristas preferidos, não só pela técnica quanto pelo feeling, pela intuição. Em outras músicas (a versão de “Voodoo Child”, por exemplo), fica claro que o Vaughan consegue criar solos rápidos e bem elaborados com um pé atrás – talvez eu devesse dizer com uma mão atrás, literalmente, é só conferir o que ele faz ao vivo… Já nesta música, o que marca para mim é a simplicidade, principalmente no segundo solo: se ele toca cinco notas é muito. Mas toca com pegada, um senso de diversão tremendo, e é típico Vaughan.
  • Police, “Bring on the Night”. O guitarrista (Andy Summers) só não é o principal destaque nesta banda porque ele tem como companheiros um gênio das baquetas e um vocalista/baixista/compositor talentoso nos três domínios, além de um poço de carisma. O motivo de eu escolher este solo tem a ver com contrastes, como na minha discussão de “Sister Morphine”: uma música com uma levada reggae, bem animada, não mereceria as punhaladas de barulho punk que o Summers dá neste solo. Mas, de novo, a coisa acaba funcionando. E para encerrar: o que o Summers faz no restante da música é ainda melhor do que o trabalho dele no solo.
  • AC/DC, “Night Prowler”. Esta música, a última do último disco com o vocalista Bon Scott (ele morreu alguns meses após o lançamento do álbum), tem uma dramaticidade rara no catálogo da banda; coincidência ou não, outra música que, a meu ver, também tem esta característica é “Hells Bells”, que abre o primeiro disco com o vocalista que substituiu Scott. Em “Night Prowler”, o solo é componente essencial para esta tensão que só aumenta.

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